quarta-feira, 28 de outubro de 2009

diário da moça do segundo andar- caderno novo

Descobri o que me faz chorar: é a constataçãpo da verdade. A verdade. A verdade é bem melhor do que estou vendo, mas o problema é que estou olhando fixo em uma só direção. Eu preciso olhar para os lados e ver quantas opções eu tenho para caminhar, mas desapegar é difícil.

terça-feira, 27 de outubro de 2009

tempo

levanto a cabeça
olhos fixos
voltados para a frente
fixos porque estão fortes
agora sim consigo
me despedir com calma e com amor
não é adeus
mas será por um bom tempo

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

diário da moça do segundo andar-caderno novo

a primeira vez que eu disse não pra ele foi catastrófico. ele disse coisas horríveis e saiu zunido pela rua. só ouvi a porta bater.
essa gente metade gente,metade cavalo...
liguei, mandei e-mail, nada
deu vontade de bater na porta até sair sangue da mão
não fiz
não combino com personagens loucas porque perco o controle
chorei e depois fui me olhar no espelho
adoro ver a minha cara amassada pela tristeza
dramático
culpa minha que o mimei. ele não sabe ouvir não
tomei um antidepressivo e dormi o dia inteiro. parecia um gato
amanhã vou cortar o cabelo

terça-feira, 6 de outubro de 2009

SETE VENTOS


"Me olhei no espelho e vi minha mãe Iansã em pé olhando pra mim. Sete ventos ela mandou na minha direção. O primeiro tirou a roupa que cobria o meu corpo, o segundo limpou e reluziu a minha pele, o terceiro me pintou de vermelho, o quarto tirou a faixa que cerrava os meus olhos, o quinto me tirou do chão, o sexto tocou uma música pra mim e o sétimo me fez dançar."
A peça é um monólogo baseado em depoimentos de mulheres negras e no mito de Iansã.
De 02 de outubro a 06 de novembro(exceto dia 23 de outubro)
Toas as sextas às 21h
Em cartaz no Teatro Gláucio Gil- Pça Cardeal Arcoverde, s/n, Copacabana
Ingressos R$10,00
Texto, encenação e atuação Débora Almeida
Supervisão cênica Aduni Benton
Coreografia Gal Quaresma com a colaboração de Denis Gonçalves
Assistência corporal Denis Gonçalves
Trilha sonora Samantha Rennó e Raquel Coutinho
Iluminação Jorge Raibott
Cenário Derô Martim
Figurino Jerry Fernando
Fotografia Zezinho Andrade, Guina Ramos e André Mantelli
Projeto gráfico André Mantelli
Op. som Rodrigo Dias
Op. luz Clécio Arruda
Ass de produção Catia Alexandre, Rosangela Pereira e Thaís Carvalho
Apoio Alexandre Assumpção e Simone Amaral
Direção de produção Débora Almeida

domingo, 6 de setembro de 2009

observações de domingo da moça do segundo andar


E depois de pousos por lugares que nitidamente não a queriam, a borboleta instalou-se entre as crianças. Histórias fantásticas, choros, briga por brinquedo. Um mundo de verdade vestido à fantasia. Elas a queriam por perto,independente das cores das suas asas, do pó que dizem cegar, de tudo. O que valia era estar ali. Ela ficou a tarde inteira e até tomou leite com chocolate, só não chupou chupeta. No final da noite voltou para a sua casa. Pela praia, que é mais bonito ver o mar e jogou fora o telefone vermelho com aqueles velhos contatos. Agora eu só ligo pra quem ligar pra mim.

terça-feira, 18 de agosto de 2009

Money!

Passei o dia resolvendo burocracias, botando os pingos nos is. Meu Deus, como é difícil resolver coisas tão simples, como é difícil e caro, digo muito caro, você querer ser certinho. Ser certinho, em algumas instâncias da sociedade é só pra quem pode e não pra quem quer. É papel e dinheiro, dinheiro e papel(essa é a ordem). E dizem que é tudo para o seu bem, para resguardar os seus direito, mas direitos de quem? Quem , com tantas taxas e certidões consegue ter direito a alguma coisa?

domingo, 16 de agosto de 2009

o que vale é o que tá dentro

Passei meu domingo inteiro no subúrbio, terra da minha família, terra que vem dentro mim.
Foi muuuuuito bom. Tudo estava favorável: o sol, o calor as cores do dia.
Não me lembro ,durante todo esse inverno de ter um dia assim. Acho que é porque eu estava em Pilares, indo buscar um pedacinho de mim.
Aqui na Zona Sul, nem sempre me sinto acompanhada, mas em Pilares é como se tudo o que eu fui perdendo no caminho, durante a Marechal Rondon ou no Túnel Santa Bárbara, eu fosse encontrando de novo. Como as migalhinhas de pão que ficam pelo chão e nos colocam no caminho de volta para casa. Para os pedaços de mim.
As crianças soltando pipa na lage, a comida da minha mãe e o som, ah, esse pra mim é o principal : o som de gente e não de carro ou de buzina.
Fiquei o dia inteiro fazendo nada, dormindo no ninho que me viu crescer, que me formou, que me preenche. Eu saí de lá pra fazer teatro, mas hoje me pergunto se é só daqui que dá pra fazer teatro.
O que é que realmente importa no fim? Por que eu estou aqui? O que é essencial e o que é fundamental?
Voltei pra casa com marmita, minha mãe já me deu toda a comida que irei consumir na segunda, almoço e jantar e eu me pergunto pra onde vai o meu talento? Talento. Alento.
Tenho um carinho pelo meu bairro, só considero longe, mas hoje eu me pergunto: longe de quê?
O que é daqui que vale mesmo levar?
Um caderninho, uma caneta e um ar de economista: quero contabilizar minhas horas de vida, de trabalho, de amor, de tempo perto e tempo longe, de lazer, de sono, de tudo. Quanto tempo do meu tempo vale isso tudo?
...
Talento. Alento.Talento.Alento.Talento.Alento.